ORENAÇÕES SACERDOTAIS - TESTEMUNHOS

 

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No dia 16 de Julho, Solenidade de Nossa Senhora do Carmo, a Provincia Portuguesa dos Carmelitas Descalços viveu um momento único na sua breve história com a ordenação de 5 novos presbiteros, no Santuário do Menino Jesus, em Avessadas, Marco de Canaveses. São eles o fr. João Rego de Viana do Castelo, o fr. Marco Caldas de Melgaço, o fr. Daniel Jorge de Angola, e o fr. Nuno Pereira e o fr. Noé Martins de Timor Leste. Estes jovens carmelitas foram ordenados pelo Sr. Bispo do Porto, D. Manuel Clemente que teve como concelebrantes o bispo D. Ximenes Belo e vários sacerdotes. A família carmelita agradece ao Senhor da Messe estas vocações carmelitas e sacerdotais e pede para eles o dom da fidelidade e da entrega incondicional.

Os Padres Noé Martins e João Rego celebraram jás as suas «missas novas» em Avessadas e Viana do Castelo, respectivamente no dia 17 de Julho. O P. Marco Caldas celebrá-la-á no diua 31 de Julho, em Melgaço, o P. Nuno Pereira no dia 1 de Outubro, no Funchal e o P. Daniel Jorge, em data a definir, no Lubango, Angola.

Lançamos a estes 5 neo-presbíteros, poucos dias antes da sua ordenação, um conjunto de questões com o objectivo de escutarmos os seus sentimentos e sonhos e assim comungarmos deste seu momento de gratidão e júbilo. Apresentamos as questões e o testemunho que cada um deles foi deixando. Obrigado por aceitarem este desafio.
Questões:
1. Que sentimentos experimentas ao aproximar-se o dia da tua ordenação presbiteral?
2. A quem gostarias mais de agradecer o percurso feito até este momento?
3. Que tens recebido da Ordem dos Carmelitas e da Igreja e esperas continuar a receber?
4. Que tens dado e estás disposto a dar?
5. Que santo ou faceta da vida e espiritualidade da Ordem Carmelita mais valorizas e porquê?
6. Que lema gostarias de adoptar para o teu ministério sacerdotal?
7. Quais os principais desafios dum sacerdote e carmelita nos dias de hoje?
8. O que é que te dá medo?
9. O que é que te dá segurança e esperança para ires em frente com passo firme e determinado?
10. Que mensagem queres deixar aos jovens da tua geração?


«BASTA-TE A MINHA GRAÇA»

Neste momento da preparação para a minha ordenação sacerdotal sinto-me em paz; quero agradecer ao meu Deus que me acompanhou com a sua graça, à minha família, aos Padres dos Seminários de Timor, às Irmãs Carmelitas Descalças de Timor, aos Padres Jesuítas, aos nossos Padres Carmelitas Descalços e Irmãs Carmelitas Descalças em Portugal, e todas as pessoas que me ajudaram até este momento. Neste meu percurso recebi a formação académica, espiritual, pastoral e humana tanto nos carmelitas e como na Igreja. Continuo a contar com a sua ajuda para melhor servir o povo de Deus e espero a continuar a receber formação e experiência necessárias para responder às necessidades dos homens deste século.
Santa Teresa de Jesus é a figura do Carmelo e da Igreja que mais me tem acompanhado, porque a sua doutrina sobre a oração e o caminho ao interior a que nos chama tem-me ajudado a fazer este caminho de encontro comigo mesmo e com o verdadeiro Deus.
Sempre ecoou na minha mente esta afirmação de S. Paulo que Santa Teresinha reafirmou: Basta-te a minha graça (2 Cor 12,9), porque tudo é graça (Santa Teresinha do Menino Jesus)… e este serão os meus lemas para o meu ministério sacerdotal.
Sonho ser verdadeira testemunha do amor de Deus e do Evangelho de Cristo. E sê-lo a partir da espiritualidade sacerdotal e carmelita, pois assim poderei responder carismaticamente às questões mais profundas dos homens de hoje.
Confesso o medo de não responder ao seu amor e à sua graça até ao fim, mas a minha confiança na sua graça dá-me a esperança e a segurança necessárias para ir em frente.
Para os jovens de hoje, gostaria de pedir: se sentirdes o chamamento de Deus à vida religiosa e/ou sacerdotal no vosso interior, acolhei-o pois vale a pena de lançar as suas redes para “outra margem”.

Fr. Nuno Pereira


«SE ÉS TU, SENHOR, MANDA-ME IR TER CONTIGO…»

Ao aproximar-me o dia da minha ordenação, sinto um grande nervosismo e o sentido da responsabilidade à espera do meu sim e da minha entrega total ao Senhor que me chama. Sei e tenho certeza de que Ele chama por mim pelo meu nome e espera pelo meu sim generoso.
Gostaria de agradecer, à Ordem dos Carmelitas Descalços e a todos aqueles que me abriram a porta e me deram a oportunidade de dizer Sim a Deus e continuar a procurá-l’O de maneira especial na vida consagrada no Carmelo Descalço. Agradeço o apoio e a oração de todos, em especial da minha família, dos meus pais, irmãos e sobrinhos que não se cansam de rezar dia e noite por mim.
Agora, ao fazer parte desta família religiosa, fundada por santa Teresa de Jesus, tenho consciência de que estou a fazer parte duma família que tem dado à Igreja um grande testemunho de vida e de oração. Nesta Ordem, cujo hábito é da Virgem do Carmo, muitos se santificaram e continuam a rezar e a oferecer a vida pela santificação dos outros. Todos queremos continuar a fazer o bem, sobretudo através da oração, tendo presentes as intenções da Igreja, do Santo Padre, de todas as vocações e de todo o povo santo de Deus.
Sinto uma grande responsabilidade para com o Senhor e todos aqueles que acreditam em mim e continuam a confiar no meu desejo de seguir o caminho do Mestre através do estímulo e experiencia dos grandes santos: Teresa de Jesus, João da Cruz, Teresa do Menino Jesus, Teresa Benedita da Cruz, Isabel da Trindade e muitos outros.
Tenho recebido muita coisa desta Ordem. A pedagogia da oração, o encontro com Aquele que ora e nos ensina a orar foi o grande tesouro que aqui encontrei. O método carmelitano da oração, a vivência fraterna e a partilha generosa e alegre são outros valores que aqui aprendi. S. João da Cruz recorda-me muitas vezes: “Há que se dirigir tudo para Cristo”, “Ponhamos os olhos só n’Ele”. De Santa Teresa gravei em mim estas palavras: “andar na verdade com humildade”, uma verdade enraizada em Cristo. Aqui tenho-me exercitado a escutar a voz de Cristo. Nas dificuldades que reencontrei sempre caminho, tive, e espero continuar a ter, mestres e irmãos que me acompanharam e ajudaram a seguir os passos de Cristo. Escutar e abrir o meu coração ao plano de Deus, determinar-me a caminhar com Ele e a servir a sua Igreja em pobreza, castidade e obediência é o meu grande desejo. Consagrar-me ao serviço dos outros levando-lhe o testemunho do Deus vivo.
A leitura e meditação das obras dos santos carmelitas tem sido uma ajuda constante na compreensão da minha caminhada como cristão e religioso carmelita, no conhecimento e seguimento de Jesus. S. João da Cruz é o mestre que mais admiro. Ele é o meu director como o foi de Santa Teresa, nossa mãe e fundadora. Dirigiu muitas almas para Deus e continua a orientar, hoje, por nosso intermédio, muitos homens e mulheres para Deus através dos seus escritos e doutrinas.
A minha escolha como lema do meu ministério é esta expressão de S. Pedro: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo…». Pedro, na dúvida, na queda, nas incertezas e em tudo o que imaginava e pensava sobre a vontade do Senhor, pediu para ir com ter com Ele, pediu para que ser fortalecido na fé. Assim também eu, identifico-me muito com o apóstolo.
Encaro os desafios dos dias de hoje com serenidade e exigência. O Senhor está connosco. A experiencia de Jesus, na oração, «estando muitas vezes a sós, com Aquele que sabemos que nos ama», como diz S. Teresa de Jesus, é o sustento da vida carmelita e sacerdotal. Por isso, peço ao Senhor que me fortaleça com a Sua graça para caminhar sempre de bem em melhor como seu sacerdote, seu escolhido. Que eu seja seu testemunho «até aos confins do mundo».
Tenho confiança na ajuda de todo o povo de Deus, que pela sua oração, sustém e apoia aqueles que o Senhor chama. Também confio nos irmãos que o Senhor pôs no meu caminho na vida religiosa de carmelita descalço, sem esquecer a presença incondicional da família que me deu a vida e ensinou a caminha em fé, os meus pais e irmãos.
Aos jovens de hoje queria deixar, mais do que um desafio, um convite a descobrir na vida a beleza do encontro com Cristo. Ele fala a partir dos irmãos, do próximo e a partir dos acontecimentos da vida de cada dia. Fiquem atentos à Sua voz. Talvez Ele tenha algo mais importante para convosco. Escutai atentamente a Sua voz que chama a ser seus instrumentos para que a sua Boa Nova chegue a todos os povos.

Frei Noé de Santa Teresa Benedita da Cruz



AMAR É DAR-SE A SI MESMO

Nestes momentos experimento uma imensa alegria por ter concluído mais uma etapa do projecto que Deus desenhou para mim e por dar inicio a outra com a ordenação sacerdotal.
A minha gratidão vai em primeiro lugar para os meus pais, pelo apoio incondicional que sempre me deram.
Da Ordem dos Carmelitas Descalços recebi a abertura, acolhimento e disponibilidade para me ajudarem na realização vocacional e missionária a que o Senhor me chamou.
Espero, agora, dar tudo o que sou e tenho. E como diz Santa Teresinha do Menino Jesus, dar "até à última gota de sangue".
Santa Teresinha do Menino Jesus tem sido a minha grande mestra e referência de vida. Foi a sua espiritualidade missionária e o seu desejo de entrega total que me levou a descobrir e a optar por esta família dos carmelitas descalços.
Também, me inspiram as palavras da Santa de Lisieux ao pensar num lema sacerdotal: «Amar é tudo dar e dar-se a si mesmo».
A principal missão que tenho e temos pela frente é a de nos pormos à procura de Deus, conhecer a Sua vontade, amá-Lo e ajudar muitos outros a reconhecê-lo também a fim de alcançar a «estatura» de cristãos adultos.
Ao acolher o dom da vocação sacerdotal, tenho medo de ficar pela mediocridade, de não abraçar os grandes ideais do Evangelho, de dar seguimento à vocação missionária para a qual me sinto chamado.
No meio destes medos e dúvidas, tenho a certeza que Deus nunca me abandonou e nunca me abandonará.
Ao jovens, gostaria de dizer: está na hora de deixar de ter medo de um Deus tão amigo e tão terno.

Fr. Marco Caldas


«O ESPÍRITO DO SENHOR ESTÁ SOBRE MIM»

- Que sentimentos experimentas ao aproximar-se o dia da tua ordenação presbiteral?
Paz e confiança.

- A quem gostarias mais de agradecer o percurso feito até este momento?
À minha família, aos/às carmelitas e a todas as pessoas que foram para mim testemunho de que é possível viver o Evangelho hoje.

- Que tens recebido da Ordem Carmelita e da Igreja e esperas continuar a receber?
A espiritualidade, a fraternidade, o testemunho.

- Que tens dado e estás disposto a dar?
O melhor de mim mesmo e o que Deus me quiser dar.

- Que santo ou faceta da vida e espiritualidade da Ordem Carmelita mais valorizas e porquê?
Na espiritualidade carmelita destacaria a centralidade do Amor, omnipresente na vida e doutrina nos nossos santos.

- Que lema gostarias de adoptar para o teu ministério sacerdotal?
«O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos, a proclamar o ano da graça do Senhor» (Lc 4, 18-19)

- Quais os principais desafios dum sacerdote e carmelita nos dias de hoje?
Anunciar o Evangelho ao mundo de hoje, numa linguagem credível e inteligível. Levar os homens ao encontro pessoal com Cristo.

- O que é que te dá medo?
Neste momento, nada.

- O que é que te dá segurança e esperança para ires em frente com passo firme e determinado?
O facto de ir muito bem acompanhado.

- Que mensagem queres deixar aos jovens da tua geração?
“Quem a Deus tem nada lhe falta. Só Deus basta.” (S. Teresa)

Fr. João Rego



«CUMPRIREI AS MINHAS PROMESSAS AO SENHOR»

1.Que sentimentos experimentas ao aproximar-se o dia da tua ordenação presbiteral?

Ao aproximar-se o dia da minha ordenação presbiteral, quero convosco dar graças a Deus, pelo ministério que me será confiado; por me ter escolhido no número dos seus ministros. De igual modo sinto uma profunda gratidão aos meus pais e padrinhos por me terem ajudado a crescer na fé e doação generosa de mim mesmo por amor a Deus.

2. A quem gostarias mais de agradecer o percurso feito até este momento?

Ao longo deste percurso, contei sempre com a ajuda dos colegas, familiares, formadores, benfeitores, amigos e muitas outras pessoas que não conheço. O meu muito obrigado. Continuai a rezar comigo a Deus para que complete a obra que em mim começou, não só a mim, mas também aos quatro meus irmãos para benefício da Sua Igreja, e nos ajude com a graça da perseverança a oferecermos este dom.

3.Que tens recebido da Ordem dos Carmelitas e da Igreja e esperas continuar a receber?

Tenho recebido e espero continuar a receber um sentimento interior de satisfação e alegria, um sentido profundo de celebração que não se confunde com euforia. Tenho recebido o estilo de vida fundado por Santa Teresa com o seu sentido de fraternidade, de humanismo e cultivo das virtudes humanas.

4. Que tens dado e estás disposto a dar?

Parece-me que a missão da Igreja e dos sacerdotes é muito mais do que humanizar a sociedade, vai além disso, pede-nos que partamos ao encontro das necessidades e angústias espirituais dos homens deste tempo e deste contexto cultural. Para isso preciso de me inculturar, de me adaptar-me, de tomar consciência da relatividade e da transitoriedade de certas formas de ser e de estar e fixar-me no essencial que é Cristo.

5. Que santo ou faceta da vida e espiritualidade da Ordem Carmelita mais valorizas e porquê?

Todos os santos do Carmelo nos dão uma força impulsionadora para podermos chegar mais facilmente à oração e contemplação. De todos eles tenho uma maior predilecção por S. João da Cruz por ser, talvez o que mais me questiona e desafia, até pela dificuldade em o entender.

6. Que lema gostarias de adoptar para o teu ministério sacerdotal?

Recordo-me muitas vezes deste versículo do Salmo 116, 14: «Cumprirei as minas promessas ao Senhor na presença de todo o povo». Eu também gostaria de dizer: O que prometo diante de vós, diante de Vós o quero cumprir.

7. Quais os principais desafios dum sacerdote e carmelita nos dias de hoje?

Os principais desafios dum sacerdote e carmelita nos dias de hoje são o de se dedicar incondicionalmente ao povo de Deus, tetemunhando o Deus vivo e sendo um verdadeiro ministro de Deus.

8. O que é que te dá medo?

Um dos meus orientadores espirituais, em Angola, dizia-me que as crises no ministério sacerdotal aparecem e são de diferentes naturezas consoante as idades. Normalmente relacionam com os conselhos evangélicos, mas confio na graça de Deus que estará sempre comigo para ser fiel ao Senhor, mas não deixo de sentir medos.

9. O que é que te dá segurança e esperança para ires em frente com passo firme e determinado?

Cristo foi sempre o meu caminho, o lugar seguro onde sempre encontrei repouso e por isso estou certo que assim como Ele nunca faltou, também não me faltará. Conheço as minhas fragilidades e por isso conto com os braços da Virgem do Carmo e com a ajuda do glorioso S. José para que assim como protegeram o Menino Jesus em seu braços, me protejam a mim também.

10. Que mensagem queres deixar aos jovens da tua geração?

Um dos sinais vocacionais verifica-se no desejo ardente de servir, de forma generosa e desinteressada. Num mundo materialista e interesseiro, verificar que há alguém que serve de forma generosa e gratuita, ou seja, ao jeito de Jesus, é sinal de chamamento e interpelação.
Na verdade, aos adolescentes e jovens chamados para seguir o Senhor Jesus no ministério ordenado ou na vida religiosa é necessário disponibilidade de serviço, grandeza de alma para abraçar os ideais do Evangelho e responder às necessidades de cada tempo. Os chamados vão clarificando e consolidando a sua vocação mediante a oração, o acompanhamento espiritual, o estudo e a docilidade ao Espírito.
Se um(a) jovem evidencia este desejo ardente de servir, de se dar e disponibilizar para as necessidades da Igreja, merece ser apoiado pela família e demais cristãos sensíveis à voz do Senhor que continua a chamar. Sede corajosos se Ele vos bater à porta.

fr. Daniel Jorge


 

2011-07-17

 
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