FELIZ NATAL

 

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Estimadas irmãs e irmãos carmelitas descalços, estamos às portas da celebração do Nascimento de Jesus e ao contemplar este mistério quero fazer-me presente a todos vós, leigos, irmãs e frades, desejando-vos um Santo Natal e um Feliz Ano Novo.

Como carmelitas descalços, filhos de Santa Teresa de Jesus e S. João da Cruz, que significa para nós celebrar o Natal, desejar uns aos outros Bom Natal? O que é que o Deus Menino estará a pedir a cada um de nós carmelitas nesta etapa da minha caminhada espiritual e neste tempo que nos toca viver?
A meu ver convida-nos em primeiro lugar a «entrar mais adentro da espessura» do mistério da gruta de Belém, ou seja, convida-nos a regressar às fontes da nossa salvação, ao encontro renovado e amigo com Cristo Jesus que me/nos quer salvar das situações de mediocridade, de comodismo, de consumismo, de superficialidade… vem para nos dizer que, como seus seguidores nesta Ordem de Sua Mãe, estamos chamados a uma vida de verdade e humildade, de coerência e profecia na simplicidade e unidade, estreitando os laços da fraternidade, cultivando a relação de irmãs com irmãos, de famílias com consagrados para que tudo o que fizermos no anúncio da Boa Nova de Jesus o façamos a partir do que somos e vivemos como família carismática e espiritual.
A comunhão vivida dentro das comunidades e entre os vários ramos da nossa Família há-de ser o distintivo que dirá que o Senhor está vivo e encarnado no meio de nós, pois o Carmelo é o lugar da comunhão com Deus e para ser comunhão verdadeira com Deus, há-de se espelhar em profundas relações de amizade e comunhão: «por isto conhecerão que sois meus discípulos» (Jo 13,35).
Estamos todos desafiados a reler as obras da nossa fundadora, o mesmo é dizer, a retomarmos o contacto com a sua forte experiência de Jesus humanado, a humanizar mais as nossas comunidades de consagrados ou de carmelitas seculares de forma a criarmos a comunidade sonhada por Jesus, onde Ele é o elo mais forte que alimenta a comunhão diária quando os irmãos se reúnem para a eucaristia e para as orações, para a correcção e reconciliação, para o testemunho e para a evangelização entusiasta nos mais variados campos de luta.
Quanto maior for a confusão e o desnorte nas diferentes esferas da vida social, maior há-de ser o nosso esforço de fidelidade a Jesus e ao seu Evangelho, pois só Ele é fonte de verdade e esperança para o mundo.
Santa Teresa de Jesus naqueles seus «tempos récios» ao sofrer com as divisões da Igreja, com o pouco vigor dos cristãos, com a perda de tantas pessoas nos «novos mundos então descobertos» por não conhecerem a Cristo, diz-nos que «toda a minha ânsia era que diante dos muitos inimigos de Jesus, os seus poucos amigos fossem bons. Determinei-me, pois, fazer este pouquito que está em minha mão: seguir os conselhos evangélicos com toda a perfeição que eu pudesse» (Caminho de Perfeição 2,1).
Neste Natal, desejo que cada um de nós abrace os conselhos do Evangelho como a nossa mãe e fundadora: a pobreza, a castidade, a obediência, a humildade, a determinação, os grandes desejos de santidade… e assim, enquanto nós diminuímos, o Menino Jesus nascerá e crescerá cada vez mais nas nossas vidas, e assim será Natal.

Um abraço a todos os membros da família dos carmelitas descalços e a todos os nossos amigos que caminham connosco e partilham da nossa espiritualidade.

Pe Joaquim Teixeira, provincial ocd

 

2011-12-23

 
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