CARMELITAS EM BRAGA HÁ 360 ANOS

 

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Para celebrar o início da caminhada da Ordem dos Padres Carmelitas Descalços, nesta bela cidade de Braga, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo vai acolher alguns eventos durante este ano Jubilar.
Do programa, neste momento, fazem parte as seguintes actividades:
Dia 2 de Março, às 21h30 - Inauguração do Núcleo Museológico do Carmo;
Dia 11 de Maio, às 21h30 - Concerto evocativo do Jubileu;
Dia 14 de Julho, às 11h30 - Eucaristia solene do Jubileu.

Primeira fundação dos Carmelitas Descalços em Braga: rua de S. Sebastião das Carvalheiras (1653)

O termo "carmelitas" teve a sua origem nos finais do séc. XII, no bíblico Monte Carmelo, situado na Palestina, e considerado o berço da Ordem do Carmo. Porém, as vicissitudes da vida impuseram profundas reformas na Ordem que foram impulsionadas por Teresa de Jesus e João da Cruz, no século XVI, nascendo, assim, a Ordem dos Carmelitas Descalços. Posteriormente, os seus fundadores foram proclamados Santos e Doutores da Igreja.
A eles se juntaram muitos seguidores de Cristo, que vivem em pequenas comunidades, privilegiando a oração e trilhando os caminhos da vida apostólica.
Os nossos irmãos Carmelitas, chegaram a Braga em 1653 e segundo testemunhos da época, foram os bracarenses, que nutrindo forte devoção por Maria Santíssima solicitaram, aos Superiores da Ordem, a vinda dos filhos da Senhora do Carmo para esta cidade.
Contudo, esta fundação requeria licença a conceder pelo cabido, que à altura governava o arcebispado, devido à morte de D. Sebastião de Mattos.
Então o Provincial, Frei Sebastião da Conceição delegou, para estabelecer contactos com o cabido, o Frei José do Espirito Santo por ser filho da terra e primo de um dos membros do mesmo. Não perdendo tempo e convencido de que a resposta seria favorável, o frade começou a procurar local para instalar o convento e deteve-se por umas casas em São Sebastião das Carvalheiras.
Entretanto, chegava a tão desejada licença e concretizava-se a compra do edifício. Após as obras de adaptação, Frei José do Espírito Santo foi eleito Superior. De seguida solicitou ao Provincial o envio de frades e iniciou-se a vida regular no dia 1 de fevereiro de 1653.

O novo convento de Carmo: no fundo da rua do Carvalhal e princípio da rua do Lameiro (1654)

Com o tempo os religiosos começaram a padecer de enfermidades devido à falta de condições do convento e atendendo às informações do Superior, o Provincial autorizou a mudança para um terreno situado a norte do Campo da Vinha.
Mas a compra foi morosa, devido à oposição do Abade de S. João do Souto que considerava o espaço propriedade da sua paróquia e não aceitava a instalação da nova fundação.
Ultrapassados os obstáculos, efetuou-se a compra. Iniciaram as obras e cerca de onze meses depois, surgiram as oficinas, a capela e as celas para a acomodação de quinze religiosos.
Assim se ergueu o novo convento do Carmo e a portada da igreja, onde se encontra atualmente. Isto só foi possível graças à generosidade de muitos bracarenses.
Só em 1694 se concluiu a construção da bonita Igreja de Nossa Senhora do Carmo, tendo como impulsionador o então arcebispo nomeado para Braga, D. José de Meneses, que encontrando-a nos alicerces, se responsabilizou pelo trabalho em pedra, tendo-o concluído. Anos depois o convento converteu-se em Centro de Estudos de Filosofia e Teologia da Província Carmelita.
Contudo, a comunidade de Braga foi extinta em 1834, como todas as comunidades religiosas de Portugal, por decreto do ministro Joaquim António de Aguiar, conhecido como o «Mata frades». Em 1838 o convento do Carmo foi entregue à Câmara Municipal, que o destinou a hospital militar e à Real Benemérita Irmandade de Nossa Senhora do Carmo, a igreja e os espaços para culto.
Esta assumiu a proteção e valorização do património material e espiritual que lhe fora confiado pela Ordem, aquando da sua fundação. Também a ela se deve a substituição, em 1907, da antiga pela imponente fachada que atualmente os nossos olhos podem admirar. A mesma foi desenhada pelo arquiteto bracarense Moura Coutinho.
Não se ficando por aqui e honrando a memória dos seus fundadores, estes benfeitores não descansaram enquanto não viram regressar os seus frades, em 3 de Março 1963. É a eles que o povo agradece o orgulho e a felicidade de ter em Braga, desejando que assim seja por muito tempo, os seus queridos Irmãos Carmelitas Descalços.

Lurdes Fernandes

 

2013-01-30

 
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